Faz parte do sistema de ensino-aprendizagem do CSL desenvolver habilidades e competências necessárias ao exercício da autonomia

Em um primeiro momento, falar sobre o desenvolvimento da autonomia de bebês e crianças pode soar um tanto assustador para os pais. Afinal, é difícil imaginar que seres tão frágeis e indefesos possam ter condições de agir por conta própria em um mundo que ainda estão descobrindo.

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Saber se vestir, se alimentar e guiar os próprios cuidados de higiene são exemplos de autonomia infantil

No entanto, estudos como o da Universidade de Montreal, no Canadá, mostram que incentivar a autonomia tem efeitos positivos sobre as funções cognitivas da criança (raciocínio, resolução de problemas, capacidade de fazer escolhas) e é fundamental para a construção de sua personalidade. Realizada com cerca de 80 mães e filhos, a pesquisa concluiu que as crianças com mais facilidade de planejar e executar atividades tinham mães que as encorajavam a agir de modo independente.

Outro benefício associado à autonomia, previsto, inclusive, no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil do MEC, diz respeito à consciência de cidadania e coletividade: “o exercício da cidadania é um processo que se inicia desde a infância, quando se oferecem às crianças oportunidades de escolha e de autogoverno”.

A escola, assim como a família, tem um papel importantíssimo no processo de desenvolvimento da autonomia no cotidiano das crianças. Sueli Marciale, Diretora da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do Colégio São Luís, esclarece que, ao contrário do que normalmente se pensa, autonomia não é liberdade irrestrita. “Autonomia é ter o poder de escolher e saber que essa escolha vai gerar consequências. Na Educação Infantil, a partir do momento em que se permite a tomada de decisões, as escolhas, as manifestações dos sentimentos, a resolução do conflito e a construção de regras, está se promovendo o desenvolvimento da autonomia”.

AUTONOMIA NO DIA A DIA

Saber se vestir, se alimentar e guiar os próprios cuidados de higiene, levando em conta regras, valores, necessidades individuais e também coletivas, são exemplos de autonomia infantil que, aos poucos, tornam a criança competente para atuar no mundo em que vive.

No dia a dia escolar, o CSL estimula os alunos, desde cedo, a adotar um comportamento mais autônomo por meio de regras, hábitos e atividades ajustados a cada faixa etária.

“Autonomia é ter o poder de escolher e saber que essa escolha vai gerar consequências”

Sueli Marciale, Diretora da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I

No Maternal, quando ainda dependem totalmente de um adulto e não conseguem se diferenciar como indivíduos dentro de um grupo, as crianças, mediadas pelas professoras, são instigadas a explorar o ambiente escolar de modo mais independente e a adquirir as primeiras noções de cuidado com os demais. “Desde o Maternal, acontece semanalmente a Assembleia de Classe, na qual a professora apresenta os problemas da sala, e os alunos sugerem soluções. Deixando as respostas com as crianças, fazemos com que percebam que toda atitude gera uma consequência, e que só pedir desculpas não é suficiente. É preciso entender por que morder, beliscar ou bater são atitudes que desrespeitam os colegas e geram sentimentos ruins”, explica Sueli.

A partir da Pré-Escola, quando já dependem um pouco menos dos adultos, as crianças passam a exercer mais ativamente seu poder de escolha. Elas decidem, por exemplo, a sequência das aulas – exceto as que são dadas por outros professores, como Educação Física ou Música, em um lembrete sutil de que seus desejos têm limitações.

Ainda nessa fase, elas começam a entender melhor o funcionamento do tempo e seguem uma rotina diária estabelecida em conjunto com a professora. Para isso, contam com o auxílio do Ajudante de Classe, aluno que colabora com a organização de atividades como a realização da chamada e o preenchimento da agenda.

QUANTO MAIOR A AUTONOMIA, MAIORES AS RESPONSABILIDADES

Outro elemento importante ligado à autonomia e inserido a partir da Pré-Escola é a autorregulação. No Ensino Infantil e no Fundamental I, o CSL abre espaço para que a criança possa exercitar sua capacidade de tomar decisões, de dialogar e de participar de sua própria aprendizagem, transformando, criando e recriando sua realidade.

As salas de aula, por exemplo, têm placas que indicam quando há um aluno no banheiro, permitindo que as crianças possam sair sem ter de recorrer à professora a todo momento. Também são disponibilizadas vassouras e pazinhas para que os alunos mantenham seu espaço limpo e organizado.

autonomia (2)“Nessa fase começamos a mostrar que a responsabilidade não é apenas do outro, a iniciativa de cuidar do espaço de convivência deve partir de cada um. Dessa forma, as crianças se autorregulam: já não dependem totalmente da professora, mas agem mediante as condições definidas por ela. Não dá para querer um aluno autônomo nas suas decisões fazendo tudo por ele”, lembra Sueli.

Do 2.º ao 5.º ano, além das Assembleias de Classe e do Ajudante de Sala, os alunos contam com um Representante de Sala, escolhido para levar as reivindicações dos colegas aos diferentes departamentos do Colégio. “A criança vai aprendendo, por meio desse papel, a expor seu ponto de vista, coordenada com os demais alunos. Para tal, precisa buscar fatos e argumentos que validem sua opinião. Deve saber apresentar suas demandas e, ao mesmo tempo, estar ciente de que nem sempre poderão ser atendidas”, completa.

Mais do que a capacidade de agir por si próprio, a autonomia está diretamente ligada ao desenvolvimento da consciência moral, possibilitando que as pessoas façam escolhas, tomem decisões e busquem por seus sonhos e desejos. Ao formar alunos autônomos em seus pensamentos e ações, estamos também constituindo cidadãos e profissionais livres para aceitar as responsabilidades e consequências das próprias ações e aptos a cooperar coletivamente para transformar a sociedade.

 

*Essa matéria foi publicada na 32ª Edição da Revista Pilotis (2019), publicação interna do Colégio São Luís. Quer ler a edição completa? Acesse o Issuu para ler on-line ou o site do CSL para solicitar a edição impressa.