Projeto Ciência Forense simula a cena de um atropelamento para que alunos possam desvendá-lo, utilizando conceitos teóricos em experiências e análises dedutivas

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O telefone toca no Laboratório de Ciências. Lívida e tremendo, a perita forense anuncia a notícia: “Há uma pessoa morta no estacionamento”. Os peritos se paramentam e rapidamente descem até o local, que é isolado, a fim de que possam marcar as evidências, recolher as provas, tirar medidas e fotografias.

Todas as orientações a respeito dos procedimentos e cuidados que os investigadores deviam ter foram transmitidas nos primeiros encontros do Ciência Forense. Trata-se de um projeto multidisciplinar com seis encontros no contraturno, ocorridos entre os meses de outubro e novembro, envolvendo os componentes Química, Biologia e Matemática. Participaram do Ciência Forense alunos da 1ª série do Ensino Médio Diurno e da 2ª série do Ensino Médio Noturno.

Com a seriedade exigida neste tipo de investigação simulado, os alunos-peritos evitaram tirar conclusões antecipadas. Encontraram na cena do crime uma caneca quebrada, uma lista de supermercado, um fio de cabelo, um pedaço de unha e sangue escorrido no nariz e na perna da vítima (que era um manequim). Solicitaram as gravações das câmeras à empresa de estacionamento.

Na sequência, as amostras colhidas foram levadas à análise técnica, realizada por grupos de alunos que atuaram como biólogos, químicos e matemáticos. Realizaram diversas análises como DNA, tipagem sanguínea, cromatografia, identificação de digitais e teor alcóolico. Verificaram os tamanhos dos sapatos das pegadas encontradas, desenharam a planta 3-D do estacionamento. Analisaram a gravação das câmeras do estacionamento e o relatório de necropsia da vítima que propiciaram informações para recontar a história do crime. Com todas as informações levantadas fizeram a comparação com um catálogo de suspeitos da “Polícia Civil” e elucidaram o crime.

“Entendemos que teria havido um atropelamento, mas a razão não era tão óbvia de entender”, contou o estudante Pedro Santalucia na apresentação do relatório da perícia aos colegas, etapa conclusiva do projeto Ciência Forense. “Foi determinante ao enredo a detecção de sangue na caneca quebrada e na roupa da vítima, que seria do motorista”, completou Luana Santos.

Na avaliação do projeto, os alunos elogiaram muito a iniciativa, que aconteceu pelo segundo ano no Colégio São Luís e está alinhada às práticas mais inovadoras de aprendizagem. “Foi muito legal, profissional e real”, avaliou a estudante Nicole Willy.

O projeto Ciência Forense, criado por Joyce Kent, diretora do departamento de Ciência do colégio New Rochelle, em Nova York, usa técnicas de decifração de crimes e está sendo cada vez mais usada no meio educacional para o estudo da Química, da Biologia e da Matemática.

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