O professor Cristiano Braune Wiik, coordenador da 2ª série do Ensino Médio, escreve sobre educar com amor

“Num colégio jesuíta a orientação central é a educação para a justiça”.
(Doc. Características da Educação da Companhia de Jesus – número 77).

Levanto-me bem cedinho e inicio meu dia em breve oração. No coração, nada que afirme…apenas uma constante questão cotidiana: O QUE ME MOVE?

No silêncio da madrugada, é bom, só ouço a voz de mim mesmo. Tudo leva à contemplação. Caminho pelas ruas vazias e encontro-me, primeiramente, com um ou outro sabiá. Entro no vagão do metrô, observo os jovens que saem das baladas em pleno dia útil da semana, e uma grande maioria de trabalhadores e desempregados. Muda-se o registro da questão: O QUE NOS MOVE?

Desço na Estação Paulista, encontro com “as eternas, resistentes” e sobreviventes pessoas em situação de rua. Mudam-se os rostos e a condição humana ainda permanece a mesma. Nessa impactante cena, a questão se dissipa, vem a resposta: O QUE MOVE é o Amor e a orientação central, é a compaixão.

Quando entro no Colégio São Luís, não estou sozinho. Carrego todo esse o mundo comigo, os valores, convicções, dúvidas, desafios, projetos e sonhos. Assim acontece com todos nós, membros dessa comunidade educativa.

Inevitável caminhar pela galeria, antes de chegar aos elevadores, sem passar pelo emblemático anúncio da NOSSA MISSÃO, que orienta o nosso olhar e inspira nossa ação: “A missão do Colégio São Luís é a educação da pessoa a partir dos valores cristãos, dando-lhe uma formação acadêmica e humana de excelência que desenvolva, de forma harmoniosa, suas dimensões cognitiva, afetiva, ética, comunitária, social e espiritual, em um ambiente comprometido com a justiça e a busca do bem comum, preparando-a para a vida e para o serviço aos demais”.

Das partes para o todo; do todo para as partes, imperativo que se faz presente em cada gesto, num “clima” que conclama o exercício de nossa tarefa diária, como nos propõe Santo Inácio de Loyola, ao final da quarta semana dos exercícios espirituais, na Contemplação Para Alcançar o Amor (230): “ O amor deve pôr-se mais em obras que em palavras”.

Imbuídos desse espírito, nesse sentido, cada encontro, método e realização da aprendizagem deve ser feita. Nos tempos atuais, conceituados como desenvolvimento sócio emocional. Para nós, desde os primórdios da Companhia de Jesus, um imperativo na missão de educação de crianças e jovens: “Tudo vem do amor, tudo volta para o amor”.

Se o nome da justiça é o amor, o número 231 dos exercícios espirituais confirma: “ O amor consiste na comunicação mútua, isto é, que aquele que ama dê e comunique ao amado o que tem ou pode, e igualmente, por sua vez, o amado ao que ama. De tal modo que, se um possui ciência, a dê a quem não a tem; se honras, se riquezas, da mesma forma; e assim mutuamente”.

Para o nosso bem, será de extremo valor se, ao final de cada dia, na prática do exame de consciência cotidiano, mapearmos nossas ações e ordenarmos nossos afetos nessa direção. Quem sabe, assim, encontraremos maior sentido no nosso fazer e acontecer.

Para o nosso maior bem, no espírito de celebração dos 150 anos, vale lembrar: estamos “cravados” e “gravados” na realidade de Avenida Paulista… via “nervosa” de tantas representações no cenário econômico, cultural e político da América Latina. Sejamos anúncio de uma nova maneira de viver o nome da justiça que é o AMOR. Neste cenário que denuncia as injustiças sociais desse mundo, catemos os cacos e construamos MOSAICOS de vida plena, anunciando um novo tempo, inspirados no amor cristão.

Cristiano Braune Wiik.
Paz e Bem.