A proposta, desenvolvida na metodologia de trabalho por projetos, estimulou o trabalho em grupo e o espírito investigativo dos alunos

A construção de um jardim coletivo foi o principal trabalho desenvolvido ao longo deste ano pelas turmas do Integral III e IV (2º ao 5º ano do Ensino Fundamental I).

O projeto começou em 2017, após uma investigação dos alunos do Integral III ter identificado poucos espaços arborizados no Colégio. Conversando entre si e com a professora Carolina Castellan, os alunos decidiram montar um jardim em um ponto pouco utilizado da escola, próximo ao Pilotis, como forma de minimizar o problema. Definido o projeto, o passo seguinte foi desenhar um croqui do jardim e apresentá-lo à Direção.

“Eu expliquei que nem sempre fazer uma obra é simples, por isso eles precisariam estar bem preparados para argumentar, pois se não houvesse uma boa defesa do projeto a Direção poderia não aceitar. Quando o Padre Contieri e a professora Sônia (reitor e diretora-geral e acadêmica, respectivamente) conversaram com eles e aprovaram o projeto, foi uma alegria. Os alunos viram que têm voz e apoio do Colégio”, conta Carolina, atualmente professora do Integral IV.

Mãos à obra!

Como o aval da Direção foi dado apenas no fim de 2017, o projeto foi retomado neste ano e partilhado entre alunos que já estavam envolvidos no trabalho e colegas de outras turmas. Em abril, as crianças começaram a investigar sobre flores e árvores frutíferas que poderiam ser plantadas no espaço, além de fazer um levantamento das espécies que já existiam na escola e seriam aproveitadas. Também procuraram por departamentos e funcionários do Colégio que pudessem ajudar no processo.

“Visitando o site da escola e questionando outros funcionários, as crianças foram descobrindo com quem falar para tirar dúvidas sobre o que queriam para o jardim.  Aprenderam que é preciso abordar os profissionais de modo correto, formalizando um pedido de reunião por e-mail, explicando a pauta e respeitando sua disponibilidade. Para isso, criaram uma conta de e-mail coletiva, que era acessada todos os dias para conferir as respostas”, explica a professora Renata Laluna, do Integral III, que participou do projeto neste ano.

A partir de conversas com o jardineiro e com funcionários da manutenção, os alunos identificaram as ideias viáveis ou não viáveis. As professoras mediaram o processo, propondo reflexões e soluções alternativas. “Acima de tudo, foi um trabalho investigativo. Nós averiguávamos o que tinha dado certo e o que tinha dado errado e diante disso fazíamos as intervenções. As perguntas norteadoras, provocadoras, estimulam o aluno a investigar mais. Só por meio da investigação há descoberta”, afirma Karen Gobo, professora do Integral III que também esteve envolvida no projeto.

A divisão das tarefas (construção do jardim vertical, construção do jardim hidropônico, decoração, registro fotográfico dos trabalhos etc.) foi feita pelos próprios alunos, de acordo com os interesses e habilidades de cada um.

Também partiu das turmas a ideia de divulgar o projeto para o resto do Colégio, já que a proposta era que os demais alunos, funcionários e pais usufruíssem do novo ambiente. Por isso, procuraram o departamento de Comunicação e Marketing, que sugeriu um teaser para a TV interna do Colégio. “O protagonismo deles foi muito importante. Ficaram muito felizes em se ver na TV”, diz a professora Renata.

Após meses de muito esforço e dedicação, o jardim foi inaugurado durante a reunião de pais, no começo de dezembro. Na ocasião, grupos de alunos foram responsáveis por recepcionar os pais, apresentar o projeto e suas etapas, fazer registros em vídeo e foto, auxiliar no deslocamento dos participantes e distribuir sementes de girassol como lembrança.

Aprendizado por projetos

A construção do jardim seguiu as diretrizes da Aprendizagem Baseada em Projetos, uma das metodologias ativas usadas pelo Colégio São Luís para estimular o envolvimento do aluno em seu processo de aprendizagem. A partir de uma situação-problema criada sobre um tema de interesse dos estudantes, eles devem articular soluções correlacionando conteúdos de várias áreas do conhecimento, sempre com a orientação e mediação dos professores.

“Para mim foi extremante gratificante trabalhar com um projeto em que os alunos são protagonistas. Ver o crescimento e amadurecimento deles mostra que esse é um formato de aprendizagem que ajuda o aluno a se desenvolver de forma integral”, comemora Carolina.

Segundo as professoras, autonomia, trabalho em grupo, busca por soluções criativas e desenvolvimento do espírito investigativo e do pensamento crítico foram algumas das competências trabalhadas na construção do jardim.

“Quando perguntei o que eles aprenderam com o projeto, uma das alunas disse que quando for grande e tiver um problema já sabe as etapas que terá de seguir para resolvê-lo. A gente vê que foi significativo e importante para eles essa percepção de poder concretizar algo grande com a ajuda de outras pessoas”, conclui a professora.