Experiência de trabalho voluntário nas férias proporciona grandes lições para jovens que querem fazer a diferença na sociedade

Fizeram dias bonitos nos primeiros dias de julho. Bom para passear, para viajar e, por que não, para fazer trabalho voluntário. Pois esta foi a opção de 28 alunos do Ensino Médio dos cursos Diurno e Noturno: eles participaram da primeira missão urbana do Colégio São Luís.

Utilizando a Vila Gonzaga como ponto de encontro, para os pernoites e as reuniões de partilha, a proposta consistiu em um final de semana de preparação emocional e espiritual para o voluntariado, seguido de seis dias de trabalho “mão na massa” e mais um final de semana de convivência e alegria. A dimensão espiritual, aliás, foi trabalhada constantemente. “Sempre alternávamos a ação com uma parada para a reflexão”, explica Renilda Pereira, agente educacional da Humanística.

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um deles dedicou-se a crianças e adolescentes atendidos por um centro de educação da Fundação Fé e Alegria, da Companhia de Jesus, localizado no bairro Parada de Taipas, na região da Serra da Cantareira. O outro trabalhou para o Arsenal da Esperança, entidade de origem italiana que acolhe moradores de rua e refugiados e tem sua sede num casarão próximo ao Museu da Imigração, na Mooca.

Muitos dos que foram ao Centro de Crianças e Adolescentes (CCA) ficaram surpresos com o trabalho realizado porque encontraram estudantes que tinham idades muito próximas das suas, porém enfrentavam uma realidade bem mais complexa, com casos comuns de violência familiar e negligências. “O trabalho exigiu desvencilhar da pretensão de resolver os problemas das crianças”, comenta Claudio Cassimiro, agente educacional da Humanística.

Já os que foram para o Arsenal da Esperança tiveram que ser pacientes, pois levaram dois dias entendendo a dinâmica e o processo da casa até que se integraram com um grupo de cerca de 30 moradores de rua que estava em transição, ou seja, passando por um processo de aceitação das regras e do trabalho de ajuda que a entidade oferece. Juntos, eles fizeram reparos em uma escola voltada para alunos com deficiência intelectual. “Assim, perceberam que mesmo na pior das situações todos podem se ajudar”, comenta Renan Nascimento, coordenador da dimensão espiritual da Humanística.

Nas palavras de Marco Vitale, italiano que trabalha para o Arsenal da Esperança e recebeu o grupo, “Não foi apenas carregar cadeiras, limpar o chão, recolher as folhas caídas, arrumar um depósito… foi “tempo de Deus” vivido em conjunto para sentir-se doação, para recomeçar a viver e para não deixar para amanhã o bem que é possível oferecer hoje”.

“Todos os jovens que participaram da Missão Urbana nas férias de julho disseram que queriam mudar o mundo”, afirma Renan. Com a experiência, eles perceberam que podem, sim, concretizar o sonho. “Porém, precisam ter disponibilidade, desprendimento, organização e contar com uma estrutura para a ação não morrer em si”, pondera. “Além da espiritualidade que fundamenta e norteia cada ação”.