Em artigo, Gilberto Chimenti, Assessor do SEFE (Serviço da Fé e Espiritualidade), fala sobre a espiritualidade inaciana e como ela é desenvolvida no CSL

Ao longo da história da Igreja, constatamos a contínua presença de Deus que cuida do seu povo. Nunca lhe faltou a assistência do Espírito Santo no sentido de que pudesse cumprir a missão dada por Cristo para levar, a todos os cantos do mundo, a Boa Notícia da Salvação contida no Evangelho.

Em toda a época, o Senhor concede um dom específico por meio de pessoas ou grupos para que deem a resposta necessária ao anseio espiritual que o tempo necessita. E, assim, o acesso à vida cristã tem a possibilidade de ser atual e convincente.

A espiritualidade cristã sempre foi o instrumento eficaz do ânimo renovado da vivência da fé. Pode ser entendida como o seguimento de Cristo e a santidade que vai acontecendo ao longo da existência. Cada etapa do caminhar histórico da comunidade cristã apresenta um modo de seguimento de Jesus, expressando a cultura, as circunstâncias e a mentalidade de um tempo.

A vida cotidiana é relevante para a espiritualidade, pois é a partir dela que há uma assimilação pessoal da fé e uma renovada inspiração para o existir cristão.

A vida cotidiana é relevante para a espiritualidade, pois é a partir dela que há uma assimilação pessoal da fé e uma renovada inspiração para o existir cristão

A via espiritual de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, se dá em um tempo de profunda mutação e com características originais: o século XVI. E pode ser denominada como pertencente à espiritualidade moderna, da qual é o seu maior expoente. Desde então, a busca e a experiência de Deus não acontecem tão somente à sombra dos mosteiros e conventos, mas no ritmo de um novo tempo, voltado a novos horizontes geográficos e humanos. Busca-se Deus em todas as coisas, e todas as coisas em Deus. Contemplativos na ação.

A experiência de Deus feita por Santo Inácio, está contida nos seus Exercícios Espirituais (EE), fruto da busca peregrina de um leigo cujo único desejo era estar disponível ao Cristo, em tudo amando-o e servindo-o.

Sua origem remota está na experiência da “diversidade de espíritos” que Inácio fez no período de convalescença na casa paterna, em Loyola (Espanha). Os contatos com o Mosteiro de Montserrat, levaram-no a conhecer o Livro de Exercícios da Vida Espiritual, do Abade Cisneros, que, certamente, influenciou a redação dos Exercícios Espirituais inacianos. A corrente espiritual da Devotio Moderna, de origem flamenga, exerceu sua influência, pois era movimento marcante na época, nova mentalidade que conduzia a maior intimidade e devoção equilibrada, centralizada em Cristo. O livrinho Imitação de Cristo, de Thomas de Kempis, expressa muito bem esse pensamento. Era o livro de cabeceira de Santo Inácio.

Enfim, os Exercícios Espirituais são fruto de uma busca pessoal, luz que vem de dentro, experiência transformadora que Inácio transmitia aos demais, com muito fruto e boa aceitação.

O CEI – Centro de Espiritualidade Inaciana – nos apresenta uma compreensão bem clara do que são os Exercícios Espirituais:

“Os Exercícios Espirituais constituem-se como um caminho a percorrer, uma maneira vital de dispor-se inteiramente à ação do Espirito (‘deixar-se conduzir por Ele’), que transforma e liberta o coração de todo desejo desordenado, para buscar, encontrar e realizar a vontade de Deus na própria vida de quem procura fazê-los.

Os Exercícios Espirituais são uma escola de oração na qual cada um é convidado a descobrir Deus e seu projeto, ajudando a conhecer-se mais a fundo, em suas luzes e sombras. Os EE têm sido uma proposta que já ajudou uma infinidade de pessoas a se libertar de tudo o que lhes trava viver mais intensamente, ganhando profundidade, sentido e compromisso em suas vidas”.

A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio e seus primeiros companheiros, tem como alicerce e norte espiritual os Exercícios Espirituais […]

A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio e seus primeiros companheiros, tem como alicerce e norte espiritual os Exercícios Espirituais, cuja espiritualidade é sempre atualizada em conformidade com as circunstâncias dos tempos em que se vive. Recentemente, a Ordem religiosa apresentou suas quatro Preferências Apostólicas Universais para os próximos dez anos (2019 – 2029). Mostrar o caminho para Deus através dos Exercícios Espirituais e do discernimento é a primeira delas e reitera o compromisso dos jesuítas no compartilhamento da experiência fundante e fundamental dos EE.

O objeto da missão dos jesuítas hoje quer expressar os mesmos sentimentos de Santo Inácio consignados nos Exercícios Espirituais, ou seja, ter a visão ampla e profunda da Santíssima Trindade, que contempla o nosso mundo com misericórdia, colocando-se em missão a exemplo de Jesus, que veio ao mundo para servir e não para ser servido. Entregar-se com disponibilidade ao serviço da humanidade, preferencialmente aos últimos e deserdados dos bens da vida. Sempre ao modo do Evangelho.

A Companhia de Jesus deseja, como Inácio, servir ao próximo ajudando-o a abrir-se a Deus e a viver segundo as dimensões e exigências do Evangelho. Deseja servir à fé com a exigência de uma vida purificada do egoísmo, vida que resplandece a perfeita justiça do Evangelho que promove a dignidade humana. Serve a fé e a justiça entendida como a realização plena do plano amoroso de Deus que deseja a vida em abundância para todos.

Como obra da Companhia de Jesus, o Colégio São Luís, por meio do SEFE (Serviço da Fé e Espiritualidade), oferece aos alunos, às famílias e aos colaboradores momentos para praticar e aprofundar os Exercícios Espirituais. Dessa forma, que possamos, cada um de nós, ter a oportunidade de fazer a experiência dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Por meio dos EE, podemos constatar o poder transformador da fé, que nos conduz à identificação com Cristo, servindo aos demais por amor, na construção de um mundo mais justo e fraterno.

 

Gilberto José Chimenti

Assessor do SEFE – Serviço da Fé e Espiritualidade