Destruição de maquetes simulou a devastação de cidades por fenômenos naturais

Alunos divididos em grupos, debruçados sobre a mesa, planejando detalhadamente maquetes de suas cidades: a prefeitura, os diferentes tipos de moradia, comércio, indústria etc. O que eles não sabiam é que em pouco tempo toda essa estrutura cuidadosamente arquitetada estaria destruída. A devastação, contudo, foi o principal estágio do Projeto sobre Desastres Ambientais desenvolvido pelo 6º ano do Ensino Fundamental II e exibido na Feira de Projetos da Semana do Conhecimento.

As maquetes serviram de protótipo para a experiência de urbanização: primeiro foram definidos os espaços naturais, depois foram erguidas as construções humanas. Uma vez pronta a cidade, um desastre natural se abateu sobre ela. Os alunos passaram pela experiência da perda, sentindo na pele a frustração de ver arruinado um trabalho que demandou muito esforço para ser concluído.

O passo seguinte foi um jogo que simula, de forma lúdica, o caos gerado pelo desastre e como agem (ou poderiam agir) cada um dos setores sociais envolvidos (população de alta e baixa renda, empresários, defesa civil etc.).

Outro componente do trabalho é um vídeo em stopmotion, produzido pelos alunos a partir de fotos tiradas durante a construção das maquetes e após os desastres naturais que as atingiram. Um boneco (também chamado de persona) foi usado para mostrar os efeitos da catástrofe sobre a população.

“Pode até não parecer uma aula, mas há uma enorme aprendizagem nesse rico processo. Os alunos compreendem o fenômeno da ocupação desordenada do espaço, os danos da erosão, a importância da vegetação nativa, o uso de tempos verbais e a construção de narrativas. Também desenvolvem habilidades e competências necessárias para a economia do século XXI, tais como trabalho colaborativo, resolução criativa de problemas e letramento digital”, afirma o professor Francisco Cabral, de Análise Linguística.

Ele também destaca que, ao longo do projeto, os estudantes tiveram contato com aspectos fundamentais para sua constituição humana e cidadã, como entendimento do papel do poder público, desenvolvimento da empatia, comprometimento com o bem do próximo e superação da frustração. “O desafio de educar para o século XXI exige criatividade e um olhar atento. É necessário inovar na forma, mas é fundamental estar atento a cada passo da experiência proporcionada e enxergar além dos conteúdos apresentados em uma explicação. É importante acostumar os jovens a se deparar com situações novas para que estejam prontos para enfrentar um mundo em constante mudança, que ninguém sabe ao certo como será”, completa.

Outro objetivo no desenvolvimento do projeto é familiarizar os alunos com os princípios do Design Thinking, metodologia que propõe o uso de estratégias criativas para a resolução de problemas. Os conceitos do Design Thinking foram aplicados na etapa final do trabalho, quando, a partir da “experiência do usuário”, ou seja, pensando nas vítimas, os alunos criaram mecanismos para evitar ou mitigar os efeitos do desastre ambiental.

“Como todo projeto bem elaborado, os educadores têm uma rota planejada, mas o desfecho e o andamento do processo dependem muito das contribuições dos alunos. Foi uma experiência rica em aprendizagem e formação”, conclui o professor Francisco.