Por Viviane Gonçalves (professora de Teatro – Ensino Fundamental II)

 

“O que é que está acontecendo com o mundo?”

Essa é a pergunta que ressoa em minha cabeça todas as manhãs, ao acordar…

Abro os olhos e tento me reencontrar com a parte mais otimista de mim mesma…

Agradeço… pela vida, pela saúde, pelo trabalho!

Por todos aqueles se fazem tão perto na distância…

“Eu estou bem!” Afirmo e reafirmo até que minha parte mais incrédula acredite…

E é aí, na minha fé, minha fortaleza interna, que encontro forças para criar e recriar um novo dia…

Um dia que valha a pena ser vivido,

em meio a essa rotina em looping que mais parece uma gaiola…

Esqueço a gaiola!

Serro todas as grades e ventarolo numa grande tentativa de me reinventar….

Por mim?

Muito mais por aqueles que de mim dependem, para tornar seus dias mais alegres….

A tela do computador vira um grande portal…

Portal tão lindo, colorido, com cheiro de reencontro…

Sim! Eu sinto esse cheiro!

Se é invenção da minha vontade mais intensa, não sei…

Só sei que sinto!

“Bom dia! Espero que vocês estejam bem!”

Qual é o tamanho dessa frase?

Frase simples… Mas de dimensão imensurável nesses tempos…

E é após essa saudação-imensidão,

que pego meu barco

para navegar nas ondas dessa rede…

Rede? Algo que prende?

Não mais assim irei chamar…

Nuvem!

Talvez este seja um nome mais apropriado!

Pego meu barco e ancoro nas nuvens…

É assim que me sinto ao passar pelo portal-matinal…

E através das vozes

(Às vezes, pelos mais corajosos, até rostos)

sinto-me novamente em casa…

(Ué?! Mas eu não saí de casa!)

E nessas nuvens, me reaprendo….

Como me reaprendi nesses tempos!

Como fizemos, juntos, toda dor virar flor…

A tela se fez palco…

Para criação das mais diversas histórias…

Para alimentar nossa imaginação…

Para fazer um verdadeiro milagre durante nossos encontros, já que teatro pressupõe presença…

A prática, agora modificada, fez abrir horizontes…

Duvido que, depois dessa nuvem, enxergaremos uma peça de teatro, um filme, do mesmo jeito…

Vocês conseguem perceber como o leque da consciência criativa se abriu?

Vejo o quanto crescemos! Juntos!

A semente da dor brotou e floresceu…

Viramos flor!

E, de mãos dadas, estamos fazendo essa travessia…

Como? Criando pontes!

Que lindas pontes criamos!

Que cor tem a sua?

Que cheiro?

Que forma?

E alimentando nossa imaginação,

de salto em salto,

estamos chegando lá!

Vai passar!

Está passando!

E não há dúvidas que,

depois de tudo,

seremos um “nós” feito nó,

de tão juntos!

Ao desatar esse outro “nó”,

imposto pelo acaso da vida,

criamos um elo,

Incapaz de desfazer!

Obrigada por serem parte do meu “laço”!