ENSINO MÉDIO NOTURNO NO COLÉGIO SÃO LUÍS: UMA BREVE HISTÓRIA

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LINHA DO TEMPO

  • Perfil: Primário (Ensino Fundamental) e Ensino Técnico/Profissionalizante.
  • Cursos: Datilografia e Curso Comercial (diploma e título de contador, que habilitava o aluno a estudar em faculdades de Ciências Econômicas).
  • Desdobramento do curso iniciado pelo Ir. Olavo Pereira da Silva, SJ.
  • Perfil: cursos técnicos, cursos de 1º grau (Ensino Fundamental I) e ensino ginasial (correspondente ao atual Ensino Fundamental II), em que eram cobradas mensalidades reduzidas.
  • Cursos técnicos: Técnico de Contabilidade, Redator-Auxiliar e Auxiliar de Laboratório de Análises Químicas.
  • Com o passar dos anos, mais cursos técnicos foram adicionados: Assistente de Administração (1976), Secretariado (1981) e Processamento de Dados (1987).
  • O Colégio São Luís encerra as atividades do 1º Grau (Ensino Fundamental) e passa a oferecer o 2º Grau (Ensino Médio regular), mantendo alguns cursos técnicos.
  • O Ensino Médio Noturno começa a ser mencionado no Anuário do CSL em 1986.
  • O Noturno deixa de oferecer cursos técnicos e concentra seu trabalho no Ensino Médio.
  • O perfil dos jovens começa a mudar e a demanda cresce.
  • Passa a admitir alunos recém-egressos do Ensino Fundamental II, em consonância com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei 9.394/1996.
  • Oferta de bolsas de estudos integrais (100%), em acordo com a nova lei de filantropia, Lei 12.101/2009, ainda vigente.
  • Melhoria da Política de Inclusão Educacional e Acadêmica do Colégio São Luís, com a implementação dos benefícios complementares à bolsa de estudos (alimentação, uniforme e material didático).

Um olhar sobre a história da tradição educativa jesuíta revela que o Apostolado Educacional ganhou importância entre os ministérios da Companhia de Jesus de forma gradativa, desde a criação do Colégio de Messina, em 1548, o primeiro fundado pela ordem religiosa. À medida que crescia o número de missões confiadas aos jesuítas em todo o mundo, com destaque para a presença na América e na Europa, a educação jesuíta se consolidava como instrumento eficaz para o serviço da fé e para o atendimento às urgências sociais de cada época e lugar.

O compromisso com a expansão do Apostolado Educacional da Companhia de Jesus, impulsionado pelo Concílio Vaticano II, já estava presente no ano de 1929, quando o Colégio São Luís, então com 62 anos de existência e sob direção do Ir. Olavo Pereira da Silva, SJ, aprovou a abertura da escola no período noturno para oferecer cursos a jovens que buscavam formação para ingressar no mercado de trabalho e não possuíam condições financeiras para subsidiar os custos.

No início da chamada Escolinha Noturna do Irmão Olavo Pereira da Silva, SJ, eram oferecidos o curso de Datilografia e o Curso Comercial, que conferiam diploma e título de contador ao estudante, habilitando-o a ingressar em qualquer faculdade de Ciências Econômicas.

Com o objetivo de acompanhar mais de perto a recente oferta de serviços do Colégio São Luís, o Ir. Olavo tornou-se diretor do segmento noturno, que, paralelamente aos cursos técnicos, passou a oferecer o curso primário, equivalente, na atualidade, ao Ensino Fundamental I.

Ao longo dos anos, com a qualidade da educação jesuíta e a oferta de cursos acessíveis e/ou gratuitos à população mais vulnerável social e economicamente, a procura pela escola teve um aumento significativo. A alta demanda aliada ao compromisso institucional levaram à expansão do projeto, e em 1943 a escolinha tornou-se Escola Técnica de Comércio São Luís passou a oferecer cursos de Técnico de Contabilidade, Redator-Auxiliar e Auxiliar de Laboratório de Análises Químicas. Nesse período, a instituição implementou os quatro anos do ensino ginasial (curso primário), correspondente ao atual Ensino Fundamental II, que vai do 6º ao 9º ano.

Em 1976, a administração da Escola Técnica foi incorporada ao Colégio São Luís, mantendo-se um único nome e o curso de Assistente de Administração passou a ser oferecido. Com o passar do tempo e as novas necessidades do mercado de trabalho, mais dois cursos foram incluídos: o de Secretariado, em 1981, e o de Processamento de Dados, em 1987.

A conjuntura social e econômica e, consequentemente, a dinâmica do mercado de trabalho e as expectativas das pessoas que procuravam os cursos no Colégio São Luís foram mudando ao longo dos anos. Com isso, na década de 1980, o curso noturno passou por uma reformulação: o chamado 1º Grau (Ensino Fundamental) deixou de ser ofertado e foi substituído pelo 2º Grau (Ensino Médio regular); alguns cursos técnicos foram mantidos.

Os anos 2000 trouxeram grandes mudanças para o Ensino Noturno. Com a diminuição da procura pelos cursos técnicos, o Colégio São Luís decidiu encerrar as atividades dessa modalidade de ensino e, no período noturno, passou a oferecer apenas o Ensino Médio regular.

O perfil dos estudantes também mudou, e o curso começou a ser procurado por jovens que, cada vez mais, buscavam não só concluir a educação básica, mas também ser aprovados em vestibulares por todo o país. Nessa época, o Ensino Médio Noturno também era ofertado na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), contando com muitos estudantes maiores de idade, cenário esse que começou a se transformar no final da década.

Entre 2008 e 2010, houve algumas alterações no processo de ingresso dos alunos ao EMN, que passou a limitar a faixa etária por série/ano escolar, conforme preconizado na legislação e nas normativas educacionais, em especial a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Em consonância com as normativas legais sobre as Entidades Beneficentes de Assistência Social, o Colégio São Luís continuou realizando atendimento aos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, instituindo uma política de bolsas de estudos integrais para todos que ingressassem no segmento noturno, após processo de seleção socioeconômica realizado por profissionais de Serviço Social do próprio Colégio São Luís.

Nesse período, também em consonância com as normativas legais sobre as Entidades Beneficentes de Assistência Social, foram implementados no CSL, à época sob a direção-geral do Pe. Mieczyslaw Smyda, SJ, benefícios complementares à bolsa de estudos tais como uniforme, material didático e lanches no intervalo, enriquecendo o seu Programa de Inclusão Educacional e Acadêmica ofertado para os alunos do Ensino Médio Noturno.

Ao longo dos anos, o perfil do curso noturno foi se transformando de acordo com as novas circunstâncias de tempo, lugar e pessoas. Mas o compromisso com a promoção da justiça social, indelével marca inaciana, e com a excelência humana e acadêmica, somado ao atendimento das prerrogativas inerentes às Entidades Beneficentes de Assistência Social, permanece vivo e fecundo, no atendimento de adolescentes e jovens vulneráveis socioeconomicamente, com bolsas de estudos integrais.