Evento promoveu troca de experiências e qualificação de debates relacionados à rota de inovação já em curso no Colégio São Luís

Entre os dias 16 e 18 de maio, o Colégio Loyola, em Belo Horizonte, sediou o I Simpósio da Rede Jesuíta de Educação (RJE). O evento reuniu mais de 150 estudantes e educadores das escolas jesuítas do país e especialistas do Brasil e da América Latina para debater o tema “Currículo e Inovação”. O Simpósio possibilitou contato entre os profissionais e promoveu troca de experiências, diálogo sobre os desafios e desenvolvimento do trabalho educativo como Rede.

“Foi um importante momento de qualificação do debate de questões relacionadas à rota de inovação já em curso no Colégio São Luís, principalmente na discussão da revisão da matriz curricular. Uma validação de que estamos no caminho certo”, destacou Rafael Araújo, Diretor Pedagógico do Ensino Médio diurno, que participou do Simpósio com outros representantes do Colégio São Luís: Fátima Ribeiro, Coordenadora-Geral do Ensino Médio noturno, Laurindo Cisotto, Coordenador-Geral de Orientação Educacional diurno, professoras Adriana Paolillo, Gabriela Amorim e Roberta Scalzaretto e o aluno do Ensino Médio Rafael Falcão Pereira.

O presidente da RJE, irmão Raimundo Barros SJ, abriu a programação, com a presença do Secretário da Educação da Província dos Jesuítas do Brasil, padre Sérgio Mariucci SJ e do diretor Corporativo do Colégio Loyola, padre Mário Sündermann SJ.

Além de mesas-redondas, debates e palestras com especialistas sobre os temas principais: currículo, metodologias e formação docente, houve também oficinas, oferecidas pelas escolas da Rede, sobre inovações colocadas em prática. Em uma delas, Rafael Araújo compartilhou o Projeto Democracia e Participação do Colégio São Luís. Ele apresentou o conceito da proposta e os passos de implantação, destacando como uma experiência de representação e vivência política pode fazer parte do currículo. Com vídeos e fotos, mostrou como o projeto está se desenvolvendo e cresceu no CSL. Também esclareceu dúvidas e apresentou soluções aos participantes.

Dos principais compromissos e acordos do Simpósio, destaca-se a constituição de dois comitês permanentes de estudo, formados por educadores das escolas jesuítas do Brasil. Um sobre currículo e o outro sobre formação continuada, devem dialogar continuamente com seus temas principais para dar suporte às estruturas institucionais e às unidades da RJE.

O Comitê Permanente de Currículo elaborará um documento com os resultados do Simpósio e diretrizes curriculares norteadoras para a RJE. Também terá como atribuição o estudo da Base Nacional Comum Curricular. Em relação à formação continuada, irmão Raimundo SJ anunciou a criação do curso em nível de doutorado, em parceria com a Unisinos. O comitê também trabalhará em outros programas, como o intercâmbio entre unidades.

Saiba mais sobre a programação do evento
O Currículo nas referências da Companhia de Jesus e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foram os principais assuntos do primeiro dia do Simpósio (17). A professora, mestra e doutora Vilma Inés Reyes Duarte, da Colômbia, destacou que “tudo que fazemos em uma instituição educativa aponta para um processo de humanização”. Por isso, o currículo deve preparar a pessoa para responder às emergências, à dinâmica da sociedade contemporânea, caracterizada pela mudança incessante, e ajudá-la a lançar-se ao outro.

A professora, mestra e doutora Olga Irene León Miranda, da Guatemala, chamou a atenção para a necessidade de entendermos o currículo como sistema, e não como ilhas, partes não conectadas entre si. Para ela, ele deve ajudar as pessoas a situarem-se na sua realidade e a serem melhores. Na sequência, o tema foi aberto para discussão dos participantes.

No mesmo dia houve mesa-redonda e debate sobre a BNCC e Formação de Professores com os professores, mestres e doutores Guiomar Namo de Mello e José Francisco (Chico) Soares.

No período da tarde, foi realizada uma oficina teórico-prática sobre “Metodologias ativas”, conduzida pelos mestres e doutores Lilian Cassia Bacich Martins e José Manuel Moran. O conceito central foi “aprender fazendo” para um “currículo vivo, partindo dos interesses dos alunos”. “Do ponto de vista do aluno, colocá-lo para fazer, experimentar, mesmo que ele não tenha todo conhecimento prévio, é mais interessante do que você explicar tudo para que, depois, ele faça”, afirmou Moran, sobre o fundamento das metodologias ativas.

Divididos em grupos, os participantes tiveram diferentes experiências em dez oficinas oferecidas pelas escolas da RJE que, de algum modo, já aplicam o conceito das metodologias ativas ou outras de aprendizagem. O primeiro dia terminou com a celebração da eucaristia na Capela Santo Inácio.

No segundo dia (18), doutor Carlos Roberto Jamil Cury discorreu sobre “Legislação Brasileira, possibilidades para inovação”. Ele abordou as mudanças ocorridas nas leis relacionadas à Educação ao longo da história do Brasil e suas implicações na realidade educativa das instituições de ensino. Para o especialista, um dos principais avanços na legislação brasileira, “apesar da precariedade, é o direito à diferença”, pois a lei “acolheu a diversidade do negro, do índio, da pessoa com deficiência e outras diversidades”. Afirmou ainda que “a escola confessional pode representar um diferencial com seu projeto pedagógico, para que os estudantes saiam mais cidadãos e respeitadores dos direitos humanos”.

Na ocasião, também foi inaugurado um novo ambiente de aprendizagem no Colégio Loyola, o Espaço Pe. Kolvenbach SJ. Um local moderno, dinâmico e interativo, que amplia as possibilidade de aprendizado. Irmão Raimundo, agradecendo a participação das delegações e o empenho das equipes internas, ressaltou que tanto o Simpósio quanto a criação do novo espaço refletem o momento de consolidação da Rede Jesuíta de Educação Básica vivido pela Província dos Jesuítas do Brasil.